Os periódicos universitários desempenham um papel importante na disseminação do conhecimento científico, tornando a pesquisa mais acessível às comunidades acadêmicas e aos formuladores de políticas em todo o mundo. Um recente estudo, publicado em janeiro de 2026 no periódico científico Scientometrics, revelou resultados interessantes sobre o panorama global dessas publicações. Segundo o levantamento, realizado por pesquisadores do Centro Leibniz de Informação para Ciência e Tecnologia (TIB), na Alemanha, e das universidades de Tampere, na Finlândia, e Hacettepe, na Turquia, foram identificados 19.414 periódicos universitários ativos em 148 países.
Os Estados Unidos lideram o ranking com 2.188 títulos, seguidos pela Indonésia, com 2.131, e pelo Brasil, com 1.530. Esse cenário mostra uma concentração significativa de periódicos universitários em poucos países, com apenas 10 nações representando quase 62,92% do total de publicações identificadas no diretório internacional Ulrichsweb, a principal base usada no levantamento do estudo. Vale ressaltar que quase metade delas opera em acesso aberto, facilitando o amplo acesso ao conhecimento científico.
O estudo enfatizou que esses periódicos desempenham um papel importante na sustentação dos modelos de disseminação do conhecimento, apoiando a diversidade linguística e fortalecendo tradições acadêmicas locais. No contexto brasileiro, a proeminência dos periódicos universitários reflete fatores como o tamanho do país, o sistema robusto de universidades públicas e a demanda por canais de publicação impulsionada pela avaliação da pós-graduação pela Capes.
A democratização da ciência e o apoio à diversidade são aspectos fundamentais destacados pela especialista em comunicação científica Maryna Nazarovets, primeira autora do artigo e pós-doutoranda no Centro Leibniz. A presença de periódicos multilíngues e de acesso aberto é fundamental para reduzir desigualdades globais e ampliar o acesso ao conhecimento, especialmente em regiões com recursos limitados.
Sigmar de Mello Rode, presidente anterior da ABEC Brasil, afirmou que o grande número de periódicos científicos universitários no Brasil tem origem histórica nas avaliações da pós-graduação feitas pelo MEC nos anos 1990. Segundo ele, uma das perguntas dos avaliadores era se a universidade possuía periódico próprio, o que incentivou fortemente a criação de publicações científicas pelas instituições.
O estudo também revelou que as ciências sociais e as humanidades dominam o perfil disciplinar dos periódicos universitários, que publicam em diversos idiomas. No entanto, a manutenção dessas publicações enfrenta desafios como a endogenia, a sustentabilidade financeira e a busca por recursos em um cenário de escassez. A iniciativa de periódicos como a Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação (RDBCI) e a Revista Dados demonstra o esforço contínuo para profissionalizar a gestão e fortalecer a comunicação científica.
Neste contexto, é evidente que os periódicos universitários desempenham um papel essencial na comunicação científica, na disseminação do conhecimento e na valorização de temas locais. A diversidade, a acessibilidade e a qualidade dessas publicações contribuem significativamente para o avanço da ciência e para a ampliação do diálogo acadêmico em escala global.
