quinta-feira , 15 de abril de 2021
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A estrutura social brasileira gera desigualdade cultural

Os produtores culturais brasileiros – sejam eles literatos, sociólogos, cineastas, etc. – assim como educadores e  professores, com frequência experimentam em suas atividades um tipo específico de mal-estar: por um lado, identificam uma parcela da população ou um público culturalmente carente a quem gostariam preferencialmente de se dirigir; no entanto, percebem a dificuldade de realizar a contento semelhante empreitada – constatando dessa forma serem vítimas de uma espécie de emparedamento social, o qual não apenas os impede de se dirigir diretamente a quem gostariam de atingir, como também os condena a se dirigir apenas a seus pares. Por outro lado, constatam, também, ser a produção cultural brasileira vítima de uma lógica social que a faz depender das modas culturais internacionais: enredada na lógica de tal moda, ela perde o fio da meada. Sem linha de continuidade, se vê incapaz de refletir em profundidade sobre o local em que se insere e tampouco herda os problemas formulados ou examinados pelas gerações anteriores, parecendo assim estar condenada a partir sempre do zero. 

A experiência desse tipo de mal-estar foi objeto de reflexão por parte de Renato Franco, Professor livre docente (aposentado) da Faculdade de Ciências e Letras (FCL) da Unesp de Araraquara no ensaio intitulado “O Ornitorrinco rides again: o crítico deve ter atualidade bem agarrada pelos chifres” – título que homenageia o sociólogo Francisco de Oliveira.

O ensaio de Franco parte de uma reflexão pioneira sobre o  referido mal-estar na cultura brasileira desenvolvida por Roberto Schwarz no ensaio “Nacional por subtração”, que aponta ser o mencionado mal-estar uma constante na experiência cultural do país desde o século XIX e resultante das enormes disparidades sociais e econômicas da perversa estrutura social brasileira, a qual também gera enorme desigualdade cultural 

O ensaio de Renato Franco examina ainda como o Estado Exterminista instalado no país após 1968 soterrou – ou dificultou enormemente – os esforços para superar tal mal-estar e condenou a maioria da população a consumir apenas aquilo que Adorno chamou de “semicultura”.

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