quinta-feira , 20 de junho de 2024
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Pesquisas contribuem no enfrentamento do racismo

O investimento na formação e na ciência é um dos caminhos para se entender e ajudar a combater o racismo. Os Programas e os trabalhos dos bolsistas da CAPES mostram como a pesquisa pode – e  deve – ser uma aliada no enfrentamento ao preconceito.

Uma das ações mais recentes da CAPES foi a seleção de projetos que receberão bolsas no âmbito do edital denominado ‘Alteridade na Pós-Graduação’. Com ele, a Fundação vai promover a investigação acadêmico-científica centrada no reconhecimento e no respeito às diferenças, bem  como na capacidade de se colocar no lugar do outro.

Dos 13 projetos selecionados, dois têm como objeto de estudo a questão racial. O primeiro, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), aborda as políticas de permanência e temas de interesse de pessoas negras, indígenas e refugiados que estudam Ciências Sociais nas regiões Sul, Centro-Oeste e Norte. O segundo,  proposto pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), vai estudar a presença de pessoas negras nos programas de pós-graduação.

Pesquisas dos bolsistas da CAPES também trazem relevantes contribuições para enfrentamento à discriminação racial. É o caso da tese de doutorado de Thaís de Jesus Ferreira, do curso de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O trabalho analisou a perspectiva de Paulo Freire para compreender a cultura dos povos quilombolas do Brasil. “Eles entendem a escola como o espaço de desconstrução das lógicas colonizadoras e de valorização de saberes produzidos no interior das comunidades. Reconhecem que combater o racismo e as desigualdades sociais é tarefa de todos, não exclusiva da escola. Por isso, ensinar para eles, é um ato político, é um modo de existência e resistência”, ressalta.

Já Flávio Souza Santos, bolsista da CAPES no mestrado em Direito na Universidade de Brasília (UnB), constatou a desigualdade racial no acesso à vacina contra a COVID-19: “No trabalho, busco também identificar quais políticas públicas têm sido úteis para combater o racismo e as desigualdades socioeconômicas que afetam, sobretudo, a população negra.”

Para Mercedes Bustamante, presidente da CAPES, o atual momento de retomada dos investimentos em educação, ciência e tecnologia no País também deve ser aproveitado para o apoio e o estímulo à inserção de grupos sub-representados em todas as carreiras, bem como para sua progressão a posições de liderança. “É muito importante que a sociedade, as agências e as universidades se mobilizem para favorecer a ascensão destes segmentos, que representam a maioria da população, mas que estão sub-representados nos espaços decisórios”, reforça.

Data da ONU lembra mortes de negros na África do Sul
Em 21 de março de 1960, durante um protesto pacífico que reuniu em Joanesburgo, na África do Sul, 20 mil negros contra a lei que limitava lugares permitidos à sua circulação, 69 participantes foram mortos e 186 feridos por tropas militares do regime do Apartheid. A data do episódio, conhecido com o massacre de Shaperville, foi instituída pela Organização das Nações Unidas, em 1996, com o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial.

 

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