quinta-feira , 23 de janeiro de 2020
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Personalização Visual de Periódicos Digitais Acadêmico-Científicos: melhora da interface e aceitação do público

 

Por Teófilo Augusto da Silva

 

 

Estivemos percebendo, na última década, uma sólida ampliação no raio de alcance das discussões acerca do impacto e da valorização das ações de comunicação de trabalhos e projetos de caráter acadêmico, científico e cultural advindo do seio da própria academia brasileira. Esse movimento antevê a participação mais maciça da produção brasileira no cenário internacional, já que, segundo últimos estudos da Thompson Reuters1, representamos apenas 2,2% da pesquisa mundial.

Apenas nos últimos cinco anos é que os pesquisadores e as instituições de ensino superior preocuparam-se ativamente em desenvolver em ambiente virtual e seguro seus periódicos. Este fato se dá, a meu ver, não pelo apelo democrático de divulgação do conhecimento científico, mas para a contenção de despesas no corte de investimentos em publicações impressas. Essas quedas em investimentos em publicações impressas não atingem apenas as publicações acadêmicas, mas todos os tipos de periódicos, inclusive jornais e outras revistas com histórico de comprometimento com a periodicidade.

Esse salto para o aparecimento de diversos periódicos criou um panorama único: a maioria das publicações aproveitaram a tradução do sistema OJS pelo Ibict (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia) e aplicaram-no a seus trabalhos de editoração, contudo, importaram-se apenas com o conteúdo apresentado, continuando com um design muito próximo dos periódicos impressos e utilizando os templates mais básicos fornecidos pelo sistema OJS/Seer.

O sistema tem seus limites de interface, com toda a certeza, existem problemas de localização de informações causadas pela não separação adequada de módulos dentro do OJS, o que, em geral, traduz-se em dificuldades de configuração do aspecto visual e, até mesmo, do serviço de editoração e avaliação de manuscritos. Mesmo assim, dentro dessas limitações é possível que um pequeno conhecimento técnico possa representar uma diferença importante na estética de um periódico acadêmico-científico que geralmente dispensam estas preocupações da visualidade.

Todavia, mesmo que a também maioria das publicações executem seu trabalho de maneira voluntariosa, participam de um “mercado” liderado pelo WebQualis, na categorização dos fatores de impacto, e pelo CNPq e Capes para a ascensão na carreira acadêmica dos professores e pesquisadores, autores das centenas de manuscritos recebidos pelas revistas brasileiras para avaliação e publicação.

Revistas norte-americanas e europeias já criaram um verdadeiro mercado com compra e venda de artigos científicos, estabelecimento de assinaturas entre outras características mercadológicas. Muitas das principais revistas são parte de um plano de negócio de grandes editoras como a Elsevier (https://www.elsevier.com/) que começam a investir em design com interface amigável e com as mais recentes tecnologias disponíveis na Internet.

O Brasil ainda não iniciou este processo de profissionalização da comunicação científica, não que não existam profissionais competentes, mas pelo fato de todo o procedimento ser na realidade feito mais pela boa vontade dos indivíduos destas cadeias de trabalho do que por uma previsão de inserção em um determinado mercado de trabalho. Sendo assim, uma publicação que queira se estabelecer como importante representante de sua área de pesquisa deve procurar investir na configuração visual do periódico de modo que estabeleça uma relação confiável e amigável entre os artigos e o seu público leitor.

Não adianta de nada ter um conteúdo riquíssimo se a apresentação deste conteúdo ficar limitado com fontes pequenas, cores que ofuscam a visão ou dificultam a leitura, arquivos de tamanho exagerado impedindo que usuários com acesso limitado à Internet tenham acesso a eles, ou imagens distorcidas apresentadas no corpo do periódico ou mesmo para ilustrá-lo, dando a ideia de que será assim tratada toda e qualquer imagem enviada para aquele periódico.

Desta forma, quero afirmar que a preocupação estética não é apenas relacionada a fotografia, diagramas, esquemas, gráficos e logotipos, mas à própria forma como o conteúdo textual é apresentado. A partir do momento que os autores entenderem que não é apenas escrever em um editor de texto que irá transmitir todo o conteúdo que deseja apresentar de sua pesquisa, então teremos o início de um processo de profissionalização e reconhecimento dos esforços de comunicação acadêmico-científicos.

 

 

Teófilo Augusto da Silva é mestre em Cognição e Linguagem pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) e especialista em Artes Visuais: Cultura e Criação pelo SENAC/RJ. Também é Editor Júnior da revista Agenda Social. professor@teoaugusto.com.br

 

 

[1] (cf. Agência Brasil; Disponível em <<http://memoria.ebc.com.br /agenciabrasil/noticia/2013-09-17/brasil-esta-em-14%C2%BA-lugar-no-ranking-mundial-de-pesquisas-cientificas, >>, Acesso em: 01 Nov 2015; e Folha Online; Disponível em: <<http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2013/04/1266521-brasil-cresce-em-producao-cientifica-mas-indice-de-qualidade-cai.shtml>>; Acesso em: 01 Nov 2015),

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