domingo , 23 de julho de 2017
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Último dia de atividades do CEC 2017 foi marcado por discussões sobre métrica e avaliação dos periódicos

Parte dos participantes posou para foto no final do CEC 2017
Parte dos participantes posou para foto no final do CEC 2017

Na última manhã de atividades da XXV edição do Curso de Editoração Científica da ABEC, realizado na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, em São Paulo, entre os dias 21 e 23 de junho, as principais atividades se concentraram no encerramento do minicurso ProCPC sobre Ética na publicação e em duas mesas-redondas sobre avaliação e métricas para periódicos. Durante as discussões, os participantes puderam fazer perguntas e interagir com os palestrantes.

minicurso
Última parte do minicurso sobre Ética na Publicação

Minicurso – Ética na publicação – Na parte final do minicurso, coordenado pelos professores Sigmar M. Rode, da Unesp e ABEC e Edson Watanabe, da UFRJ, foram relembradas algumas personalidades brasileiras que, apesar das contribuições em suas respectivas áreas, não tiveram o devido reconhecimento. Os exemplos serviram para que o professor Sigmar provocasse os alunos com a frase: “Precisamos gostar do Brasil e termos orgulho de ser brasileiros”.

O professor ainda destacou que há uma sobrecarga de informações científicas sendo publicadas. “O PubMed adiciona uma média de mais de dois resumos por minuto em sua base de dados e isso apenas em ciências médicas e da vida. Se isso não equivale à sobrecarga de informação, então o que seria?”, indagou.  Sigmar ainda abordou os temas: “Funções e responsabilidade       na publicação”; Identificação da má conduta e orientações para ação”; “Funções e responsabilidade do editor”, tanto no que diz respeito ao peer review como em relação aos revisores, a liberdade editorial e os conflitos de interesse. “Um autor é geralmente considerado como aquele que deu contribuição intelectual substancial. No passado, os leitores de periódicos tinham pouca informação sobre o papel de cada um na confecção do trabalho, e alguns periódicos têm dado maior importância a isso, solicitando aos autores sua contribuição no estudo, pelo menos em pesquisas originais”, frisou.

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Bruce Rosenblum, do Inera, convidado internacional

“Métricas para periódicos” – Enquanto isso, no auditório Altino Antunes, os participantes assistiram à apresentação de Bruce Rosenblum, do Inera, sobre JATS, XML, and Related Publishing Standards. Em seguida, foi realizada a mesa-redonda “Métricas para periódicos”, com a participação de Ariane Fernández, que falou sobre “Fator de Impacto”; Milton Shintaku, do Ibict, que apresentou dados sobre Webmetria e Andréa Gonçalves do Nascimento, da Unirio, que abordou o tema Altmetrics.

Mesa-redonda
Mesa-redonda “Métricas para periódicos”

Shintaku destacou que o surgimento da web trouxe mudanças na relação com a informação. Foram criados sites e portais e disseminou-se a web 2.0, por meio da qual os usuários se tornaram publicadores de informação. Ele falou sobre a webometria (define a utilização de métodos infométricos na Web), relação entre as métricas, relação entre links, indicadores e aplicações webometricas o estudo webométrico de revistas.

Milton Shintaku, da ABEC
Milton Shintaku, da ABEC

Andréa Gonçalves falou sobre Altmetrics e destacou, ao reproduzir um pensamento de Dylan Parker, Associate Publisher at BioMed Central, que  é preciso apoiar os autores na compreensão do impacto da pesquisa como ela ocorre, fornecendo medidas de uso do artigo a partir da citação tradicional, downloads e acessos para entender a cobertura da mídia, o compartilhamento de artigos e outras referências que colocam esse uso em contexto. Ela ainda frisou que citações, estatísticas de uso e altimetria são todos indicadores importantes e imperfeitos dos valores refletidos pelo termo impacto acadêmico. Andréa ainda explicou sobre o funcionamento das ferramentas de altimetria, métricas alternativas e como atrair possíveis autores.

Mesa-redonda – Após o intervalo, Márcio Zeppelini, da Zeppelini Publishers, apresentou uma solução on-line para revisão e tradução de manuscritos. Em seguida, foi realizada a mesa redonda –“Objetivos, resultados e consequências da avaliação de periódicos”, com a participação de Geraldo Brasileiro, da UFMG; Rui Seabra Ferreira Jr, da Unesp e presidente da ABEC, e Abel Packer, do SciELO.

Geraldo  Brasileiro, coordenador da Capes
Geraldo Brasileiro, coordenador da Capes

Capes – O primeiro a fazer uso da palavra foi Geraldo Brasileiro, coordenador de Medicina II da Capes, que tratou dos critérios Qualis para classificação de periódicos. Ele falou sobre o Sistema Qualis, Qualis Periódicos, além dos Princípios e Critérios de Estratificação. Em relação à pontuação docente e discente ele destacou que A1 equivale a 100 pontos e B5 de 1 a 10 pontos. Como referenciais dos periódicos, citou: perfil do periódico, bases de indexação, índices bibliométricos, periódicos estrangeiros e nacionais e número de programas de pós-graduação que publicam no periódico.

Como fatores de exclusão, Brasileiro destacou os periódicos que não atendem a boas práticas editoriais ou a listas de organismos internacionais. Em relação aos critérios de estratificação, o palestrante elencou: Perfil do Periódico (considerando o corpo editorial, periodicidade, fluxo de artigos, aderência à área e periódico de Sociedade Científica). Sobre a importância do Qualis, o coordenador da Capes citou como argumentos: Sistema de Parametrização, Transparência, Reprodutibilidade, Orienta a avaliação e mencionou algumas limitações. “Periódico C não atende boas práticas editoriais e não preenche critérios de A1 a B5”, destacou.

Logo em seguida, Rui Seabra Ferreira Jr falou sobre os critérios do CNPq para avaliação de periódicos.

Rui Seabra é presidente da ABEC
Rui Seabra é presidente da ABEC

CNPq – Rui argumentou que o objetivo da chamada MCTI/CNPq Nº 24/2015 – Apoio a Editoração e Publicação de Periódicos Científicos é apoiar propostas que visem incentivar a editoração e publicação de periódicos científicos brasileiros de alta especialização em todas as áreas de conhecimento de forma a contribuir significativamente para o desenvolvimento científico e tecnológico e inovação do País. O palestrante ainda apresentou tabelas com dados sobre a distribuição do número de propostas, montante solicitado e disponibilidade de recursos por área do conhecimento. “Em 2015 foram submetidas 244 propostas, enquanto em 2016 foram 186, havendo, então, uma diminuição no número de propostas recebidas de aproximadamente 23,8%. Em relação ao recurso global solicitado para esta Chamada (R$14.893.248,08) houve uma redução de 19,8% em relação a 2015 (R$18.567.856,46)”, destacou.

O presidente da ABEC apresentou os critérios de análise e julgamento e esclareceu que entre os critérios gerais estabelecidos pelo Comitê do CNPq está o de que nenhuma proposta que obtivesse nota menor do que 3,0 fosse recomendada. “Nas áreas de Ciências Humanas, Sociais Aplicadas e Letras, Linguística e Artes, os membros do Comitê fixaram como nota de corte o valor de 3,6 não recomendando propostas abaixo desta nota”, acrescentou.

Rui ainda elencou as propostas aprovadas e o montante de recursos alocados nas Grandes Áreas do Conhecimento. “Decidiu-se que a partir da Chamada 2017 não devem ser recomendadas as revistas que cobrem taxa de submissão”, citou.

SciELO – Fechando a rodada de apresentações, Abel Packer, do SciELO, citou estatísticas de produção científica brasileira indexada na Web of Science e no Scopus.  Citou as Políticas e programas nacionais e institucionais em informação científica (acesso à informação científica, publicação em periódicos de alto impacto, fortalecimento dos periódicos do Brasil, repositórios de acesso aberto, transferência de conhecimento, divulgação científica, revisões sistemáticas, avaliações, entre outros.

Abel Packer, do SciELO
Abel Packer, do SciELO

Em relação ao Programa SciELO Brasil, Abel colocou que o objetivo é contribuir para o avanço da pesquisa e sua comunicação. As linhas prioritárias são: profissionalização, internacionalização e sustentabilidade financeira. O palestrante também apresentou estatísticas sobre a evolução anual   do número acumulado de periódicos indexados, excluídos e do  saldo de alvos da SciELO Brasil no final de cada ano; a evolução anual do número total de documentos e de artigos indexados e ainda  a proporção de artigos em inglês divididos por áreas temáticas. “Os periódicos brasileiros devem buscar credibilidade e valorização, precisam inovar por meio da desintermediação e colocar como desafio o acesso aberto com sustentabilidade”, observou.

Durante os três dias do CEC 2017 foram realizadas palestras e mesas-redondas que trouxeram aos participantes temas discutidos mundialmente. A intenção foi capacitá-los para praticarem, cada vez mais, uma divulgação científica de qualidade.

Diretoria da ABEC, ao final do evento
Diretoria da ABEC, ao final do evento

Próximo evento – O próximo evento da Associação, o “ABEC Meeting 2017” será realizado entre os dias 6 e 9 de novembro, em Curitiba. Será voltado para editores científicos mais experientes e discutirá como tema central a sustentabilidade e a internacionalização dos periódicos científicos. As apresentações dos convidados que palestraram nos três dias do evento estão disponíveis no site da ABEC: https://www.abecbrasil.org.br/eventos/xxv_curso/index.asp

Leandro Rocha (4toques comunicação)

comunicacao@abecbrasil.org.br

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