sábado , 15 de maio de 2021
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Plágio e autoplágio: artigo aponta que falta de autenticidade na produção científica tem diminuído ao longo dos anos

Você já parou para pensar se um conteúdo que está consumindo é realmente original? O plágio e o autoplágio estão presentes no universo literário e, principalmente, na produção científica.

Copiar trechos escritos anteriormente por outra pessoa, sem dar a ela os devidos créditos e referência por esse trabalho é considerado plágio e causa impacto negativo em todo o processo de produção de conhecimento.

Plágio de acesso aberto – Pensando nisso, o autor Marcelo Krokoscz comparou em seu artigo “Plágio de acesso aberto em artigos publicados em periódicos indexados na Scientific Periodicals Electronic Library (SPELL): uma análise comparativa entre 2013 e 2018”, publicado no International Journal for Educational Integrity, uma amostra obtida em 2013 e outra em 2018. Nas duas amostras, foram verificadas as orientações que cada um dos periódicos fornecia aos autores quanto ao plágio e à adoção de softwares para detectar semelhanças textuais.

“O plágio pode acontecer em diferentes níveis acadêmicos, com protagonistas juniores ou seniores. Assim, a motivação para este trabalho, foi mostrar, por meio de evidências, que a ocorrência deste problema é mais frequente do que imaginamos. Os índices verificados são surpreendentes, mesmo entre publicações de pesquisadores profissionais. O assunto requer atenção e enfrentamento”, comenta Krokoscz

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Reprodução literal – Na análise realizada em 2013, constatou-se que apenas um periódico mencionou a palavra “plágio” em suas políticas, apesar de a maioria das diretrizes exigirem garantias de que nenhum tipo de violação de direitos autorais havia sido feita. Além disso, foi percebida a reprodução literal em 31 artigos publicados .

Orientações de plágio e autoplágio – Já na análise de 2018, o número de publicações que incluíram observações e orientações relacionadas ao plágio e autoplágio cresceu para 69%. Na mesma análise, constatou-se que plágio e autoplágio ocorreram em 52 artigos analisados. Porém, nenhuma evidência relevante de plágio ou autoplágio foi encontrada em 66 dos manuscritos analisados.

O pesquisador explica que a ciência é fundamentalmente baseada na confiança dos procedimentos de demonstração dos fenômenos teóricos ou práticos e na validade dos resultados, assegurada pela coerência argumentativa ou consistência matemática.

“O relatório de pesquisa é apenas a ‘embalagem’ do conhecimento obtido com tais características. Se o manuscrito apresenta erros, está mal elaborado ou é uma fraude, compromete seriamente a credibilidade do conteúdo. Assim, o plágio é um risco reputacional para os pesquisadores e para as instituições que podem perder a confiança e a respeitabilidade do seu público”, diz.

Ferramentas para identificar similaridade – Quanto aos softwares que são utilizados para identificar a prática do plágio, é preciso atentar-se a alguns pontos. O pesquisador explica que esses sistemas apenas identificam textos iguais. “O critério de reconhecimento disto é a anterioridade, ou seja, a verificação de qual texto é mais antigo. Em muitos casos, os textos similares são citações com as devidas referências, portanto, com a atribuição de crédito de acordo com os direitos autorais. Por outro lado, há plágios como a cópia de fontes, apropriação de ideias e conteúdos por meio da reescrita, utilização de textos escritos por outros, casos de fraudes autorais que os programas não identificam”, avalia Krokoscz.

Ainda segundo ele, um texto analisado por um software, pode ter zero de similaridade, mas conter muitas fraudes autorais. Para o pesquisador, um texto com cem por cento de similaridade, não é necessariamente plágio pois pode ser uma redundância aceitável. Por exemplo, a publicação de um mesmo manuscrito em dois idiomas diferentes, com esta característica aceita pelos editores.

Encontro Nacional de Editores Científicos – Diante desse tema constantemente comentado no meio científico, em 2011, o Encontro Nacional de Editores Científicos, promovido pela ABEC, teve como tema “Integridade e ética na publicação científica”. Na ocasião, Krokoscz foi convidado para falar sobre plágio para os editores e, desde então tem feito apontamentos das evidências que contribuem para o aprimoramento da qualidade da publicação científica.

Segundo o pesquisador, entre as principais evidências está a necessidade de incluir nas políticas editoriais ou nas diretrizes para autores, posicionamentos e orientações claras sobre o plágio e outras má condutas científicas.

“No paper publicado, observo que de 2013 para 2018, na amostra observada, houve um aumento considerável neste tipo de orientação nos periódicos analisados. Consequentemente, o trabalho também permitiu observar a redução de 21,9% no índice de ocorrência de plágio e autoplágio na amostra das publicações feitas pelos periódicos analisados”, comenta.

Portanto, embora tenha sido observada redução na ocorrência de plágio e um aumento nas instruções sobre como preveni-lo, ainda é necessário evidenciar a necessidade de prevenção do plágio em manuscritos submetidos à publicação.

“Desde 2011, tem sido realizado um trabalho permanente da ABEC de orientação e reflexão sobre o tema, cursos de formação oferecidos aos editores e avaliadores, bem como a adoção de diretrizes de instituições nacionais e internacionais que promovem a integridade científica. O software de detecção de plágio é limitado no seu escopo, mas a observação para os autores da adoção de uso deste recurso exerce um papel dissimulatório e de atenção que contribui eficazmente na prevenção do plágio”, finaliza Krokoscz

 

Para conferir o artigo, acesse: https://link.springer.com/epdf/10.1007/s40979-020-00063-5?sharing_token=sEuAeyQaGPLpQXmtaB7sPfe4RwlQNchNByi7wbcMAY6BCL7Cjbydd0w6y7URRmIIDRTZ60Ml0Cm1Jgh5qG7p_GqnVtT5lju6t9Lf_8PIogkZVEn5SsiK561SHQoNVYeWbYFn4aZpwWiMLfUUxIkOeEPOTxjIJZf2dg-jffSIwuw%3D

Rhaida Bavia (via Vias Digitais Comunicação e Marketing)

comunicacao@abecbrasil.org.br

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