terça-feira , 5 de julho de 2022
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Mídias Sociais e Divulgação Científica: um casamento desejável

selo (1)Bruna Picciani

 

Em recente matéria do portal g1, o relatório de 2021 da consultoria AppAnnie mostrou que os brasileiros passam, em média, 5,4 horas por dia no smartphone, sendo os aplicativos mais acessados WhatsApp, Facebook, Instagram e Messenger. Diante deste fato, é inevitável negar o poder das mídias sociais e o papel que elas contêm de divulgar a ciência de forma democrática e universal.

Em 2019, a European Commission ao discutir o futuro da publicação acadêmica reconhece que a revolução digital trouxe inúmeros desafios e oportunidades para os editores, sendo essencial maximizar a acessibilidade das publicações, construir comunidades de pesquisa e flexibilizar e inovar dentro do meio científico. Seguindo esses conceitos, os recursos das mídias sociais são grandes aliados e começam a ser incluídos na rotina da gestão editorial de revistas de todas as áreas, e representam critério para a admissão e a permanência de periódicos científicos em indexadores como a SciELO. 

 Mídias sociais como Facebook, Twitter, Instagram, LinkedIn e YouTube, são cada vez mais utilizadas pelos autores e editores, impactando na divulgação dos resultados, aproximando a publicação com o público geral e sendo uma métrica alternativa de desempenho. 

Muitas revistas ainda resistem às mídias sociais e outras não apresentam estrutura para manter de forma contínua as publicações na rede. O próprio autor deve ser motivado a produzir um pequeno press release (comunicado para a imprensa) sobre seu artigo e divulgar em todos os canais, para que possamos, cada vez mais, atingir novos leitores nacionais e, quem sabe, internacionais. Nesses ambientes podemos dinamizar cada vez mais a ciência, usando materiais interativos e vídeos para retratar um artigo publicado e, assim, o leitor pode emitir sua opinião, acrescentar novas informações, até mesmo formar grupos de pesquisa e potenciais novos autores para a revista. 

Outra ferramenta de comunicação em alta é o podcast que proporciona acesso ao conhecimento, de forma leve, dinâmica e sem exigir esforço do ouvinte. O ponto alto seria a mobilidade do ouvinte, que pode escutar o áudio em qualquer lugar, podendo pausar e escutar o programa quando quiser, ouvindo uma informação mais clara e objetiva. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), de 2019, mostrou que dos 120 milhões de internautas brasileiros, 16 milhões escutam podcast diariamente. Na pandemia do coronavírus, o podcast permitiu que cientistas se comunicassem diariamente com o público. Com certeza, estamos diante de outra ferramenta valiosa de educação e comunicação que precisa ser cada vez mais explorada pelos editores e autores. 

Deste modo, aumentar a visibilidade dos estudos é uma questão urgente para o binômio pesquisador-editor e constitui uma demanda da sociedade, que necessita compreender a aplicação das pesquisas científicas, e uma necessidade dos milhares de periódicos, para garantir a divulgação científica e sobrevivência. Por fim, o mundo mudou e a ciência precisa continuar neste processo mais dinâmico, em busca da acessibilidade, inclusão e diversidade.

 

Bruna Lavinas Sayed Picciani
Mestre e Doutora em Patologia; Professora Adjunta do Departamento de Formação Específica, Faculdade de Odontologia de Nova Friburgo, Universidade Federal Fluminense (UFF), Vice coordenadora do Programa de Pós-graduação em Odontologia, Faculdade de Odontologia de Nova Friburgo, Universidade Federal Fluminense (UFF), Professora Permanente do Programa de Pós-graduação em Patologia, Faculdade de Medicina, Universidade Federal Fluminense.

Sobre Leandro Rocha

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