terça-feira , 16 de agosto de 2022
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Covid-19 e transplante de órgãos extrapulmonares: é hora de rever os protocolos?

Texto escrito por: Rosa Emilia Moraes

A possibilidade de transplante de órgãos de doadores que testaram positivo para Covid-19, mas que apresentaram formas leves da doença, tem se mostrado como perspectiva viável para diminuir o déficit de doadores qualificados pelos protocolos atuais. Desfecho bem-sucedido de caso ocorrido no Pará abre caminho para atualização das orientações sobre transplante no Brasil durante a pandemia.

Com os avanços nas pesquisas e conhecimentos sobre o Coronavírus e seus impactos no organismo humano, a possibilidade do transplante de órgãos de doadores com suspeita ou confirmação de Covid19 na forma assintomática ou leve tem sido discutida. Isso porque em muitos países, incluindo no Brasil, a política de contraindicação absoluta tem reduzido drasticamente o número de doadores qualificados, enquanto aumentam os números de óbitos nas filas de espera.

Publicado no v. 25, n. 2 do Brazilian Journal of Transplantation, o estudo “Transplante Renal de Doador com Positividade para Sars-CoV-2 no Brasil”, apresentado por pesquisadores da Universidade do Estado do Pará, traz um relato de caso de receptora feminina, que recebeu um rim de doadora com RT-PCR positivo.

Após 39 dias de permanência no Hospital Ophir Loyola, com boa evolução clínica e laboratorial, a paciente teve alta para acompanhamento ambulatorial. Durante a hospitalização, a receptora não apresentou sintomas respiratórios e todos os testes RT-PCR realizados tiveram resultados negativos ao longo das seis semanas consecutivas.

O artigo traz para o cenário nacional a ponderação sobre os riscos e benefícios do transplante de órgãos extrapulmonares de doadores que tiveram a Covid-19 de forma assintomática, leve ou moderada, e que não faleceram em decorrência da doença, já que a ciência não registra achados relevantes de transmissão ou dano para o receptor de órgão extrapulmonar de indivíduo infectado pelo Sars-CoV-2. Também não houve infecção entre os profissionais de saúde que realizaram as cirurgias.

Com esses dados, torna-se possível considerar uma revisão dos protocolos de transplante, para reduzir o déficit de doadores. Ainda que com limitações, o caso em tela vem contribuir com o propósito de documentação e análise contínua para orientar os transplantes na vigência da pandemia, para que não se perca nenhuma oportunidade de salvar vidas.

Leia mais (Referências)

Kates, O.S.; Fisher, C.E.; Rakita, R.M.; Reyes, J.D.; Limaye, A.P.  “Use of SARS-CoV-2-infected deceased organ donors: Should we always “just say no?” Am J Transplant, 2020;20(7):1787-94. https://doi.org/10.1111/ajt.16000

Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. “Covid-19 e o impacto na doação e transplantes de órgãos e tecidos”. ABTO News. 2020;23(1):1-8.

CARVALHO SILVA, C. D. C. de; MOURÃO PANTOJA, G.; DA CRUZ MIGONE, S. R.; DE PAIVA REGO, V.; DE SOUSA MONTEIRO, A. P. Transplante renal de doador com positividade para Sars-CoV-2 no Brasil. Brazilian Journal of Transplantation, 25(02):e0122.

 

Disponível na íntegra em: https://doi.org/10.53855/bjt.v25i2.423_pt

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